Esta foto representa o fio da minha
vida. Eu me reconheço neste corpo de menina, hoje mulher, mas ainda menina. Olhando
esta imagem esses dias, vi a minha mão direita dobrada, bem dobrada, quase
fechada. Há algum tempo, nas minhas investigações corporais, reparei que frequentemente
tenciono esta mão, e este braço, e este ombro. Eu sempre disse que sofria de
uma tendinite causada pelo uso intensivo do computador, e que ela, esta
tendinite, era também a responsável pelas dores de cabeça que às vezes sinto, uma
dor que começa pelo lado direito do pescoço, e que na semana passada me apertou
o coração. Mas hoje, agora, observando esta foto, tive a certeza de que não, de
que esta é uma dor cuja história se inicia muito antes de eu saber digitar. Pois
bem, este cabelo, aí estou com ele, desarrumado, despenteado, e me acho linda
neste desformato. É a moldura mais perfeita para este olhar fundo da minha alma.
A menina desta foto tem um olhar maduro, um olhar com alma que eu tive desde
menina. Então este corpo e este olhar são a minha composição mais essencial,
por isso chamei esta foto de “fio da minha vida”. As pernas firmes, os cabelos soltos,
aliás, meio presos meio soltos, e este olhar, e esta mão, e este corpo exposto
para a vida, em pé, ereto, com curvas e meus trajetos pessoais. Eu amo esta
foto como amo o meu passado a ponto que querer ser criadora de
futuros, do meu. E ter este olhar amoroso para tudo que existe em mim é o que
firma o meu lugar na existência.
Para não ficar pela metade, vivo minha versão inteira por meio da poesia. Eu me confesso publicamente.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Escrever
até que as palavras dissipem
os sítios.
Nada estático
vida tempo
memória do futuro.
Cílios pintados
boca, beijo
encontro
desejo.
Passeio enfeitada
lua quase inteira,
alada.
A vida é inventar!
Corpo -
rimas e desencontros
luz no ventre e no verso
avesso que expresso.
Escondo palavras nas dobras que a pele faz.
Escorro para viver
sangue novo,
Nascer.
Acordar e lamber pelos
histórias de pernas e de olhos,
Ver.
Desenho linhas livres.
até que as palavras dissipem
os sítios.
Nada estático
vida tempo
memória do futuro.
Cílios pintados
boca, beijo
encontro
desejo.
Passeio enfeitada
lua quase inteira,
alada.
A vida é inventar!
Corpo -
rimas e desencontros
luz no ventre e no verso
avesso que expresso.
Escondo palavras nas dobras que a pele faz.
Escorro para viver
sangue novo,
Nascer.
Acordar e lamber pelos
histórias de pernas e de olhos,
Ver.
Desenho linhas livres.
domingo, 29 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
Raio Junino
Fogueira, barraca, bandeirinha
Crianças apanhadas de alegria
É São João!
A saia dança na espera do correio
O amor falseia sua chegada
Dorme enquanto doce
Quente meu coração.
Cometa, lua, constelação
Meu pé sangra abrasado de forró.
O corpo sanfona
O sorriso convida
A roda gira.
Caminho, roça, menina
Cabelo solto
Laço de fita
Mão na cintura
Mundo-grande-quadrilha
Viver é brincar.
Crianças apanhadas de alegria
É São João!
A saia dança na espera do correio
O amor falseia sua chegada
Dorme enquanto doce
Quente meu coração.
Cometa, lua, constelação
Meu pé sangra abrasado de forró.
O corpo sanfona
O sorriso convida
A roda gira.
Caminho, roça, menina
Cabelo solto
Laço de fita
Mão na cintura
Mundo-grande-quadrilha
Viver é brincar.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Quarto Crescente
A lua,
na sua metade de baixo,
sorri repleta de futuro.
Na noite,
seu resto de rosto,
surgem olhos de desejo
o nariz de um homem honrado
e os meus cabelos alados.
na sua metade de baixo,
sorri repleta de futuro.
Na noite,
seu resto de rosto,
surgem olhos de desejo
o nariz de um homem honrado
e os meus cabelos alados.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Segunda carta
Meu amor,
De novo te escrevo. Quero me contar nua. Tenho vivido intensamente. Liberdade.
Mora em mim esta criança sobre a relva. Corre bicho solto. Rosto alegrado de flores. Sobe balão. Céu alado meu peito, esta criança voa observando horizonte. Olha pra tudo. Ri de si. Sente a pele beijada. Transforma tudo em mundo seu. Baú de brincar.
Criança minha varias idades, as escolhe cada momento. Sabe tempo. Sabe desejo. Deixa-se ir, solta ar.
Era véu, mas tu viste olhos. Alma. Estrelas na escuridão. E nada te deteve cavalo. Montaria. Bailarino. Futuro. Mãos fortes na minha face mulher. Deu-me terra. Cabelos longos. Seios grandes. Útero, sangue, defeitos. Medo, vazio, distância. E líquidos, procriação. E agora sou ciclo, movimento, invenção.
Te amo por isso: transmutar-me encontro. Saber-me beleza mulher menina pequena. Vibração.
Vives ao meu lado agora. Moldamo-nos pares: também me vês em ti.
Agradeço meu corpo. Louvo imaginação. Danço vida festa, Dionísio, religião. Cumpro as rotinas. Planto as horas todas. Já tenho coragem. Vivo tua ausência. Interna em mim. E não temo as minhas vontades. Estendo partes, recolho insignificâncias, escrevo, choro de rir. E depois fico séria. Sisuda. Rígida. Dói. Mas gosto variâncias.
Respeito. Silêncio. Tudo cala este amor vivo. Caminhemos naves. Saberemos sonhos. Prever o que?
Vivendo confirmo, a todo o momento, que o amor e real.
De novo te escrevo. Quero me contar nua. Tenho vivido intensamente. Liberdade.
Mora em mim esta criança sobre a relva. Corre bicho solto. Rosto alegrado de flores. Sobe balão. Céu alado meu peito, esta criança voa observando horizonte. Olha pra tudo. Ri de si. Sente a pele beijada. Transforma tudo em mundo seu. Baú de brincar.
Criança minha varias idades, as escolhe cada momento. Sabe tempo. Sabe desejo. Deixa-se ir, solta ar.
Era véu, mas tu viste olhos. Alma. Estrelas na escuridão. E nada te deteve cavalo. Montaria. Bailarino. Futuro. Mãos fortes na minha face mulher. Deu-me terra. Cabelos longos. Seios grandes. Útero, sangue, defeitos. Medo, vazio, distância. E líquidos, procriação. E agora sou ciclo, movimento, invenção.
Te amo por isso: transmutar-me encontro. Saber-me beleza mulher menina pequena. Vibração.
Vives ao meu lado agora. Moldamo-nos pares: também me vês em ti.
Agradeço meu corpo. Louvo imaginação. Danço vida festa, Dionísio, religião. Cumpro as rotinas. Planto as horas todas. Já tenho coragem. Vivo tua ausência. Interna em mim. E não temo as minhas vontades. Estendo partes, recolho insignificâncias, escrevo, choro de rir. E depois fico séria. Sisuda. Rígida. Dói. Mas gosto variâncias.
Respeito. Silêncio. Tudo cala este amor vivo. Caminhemos naves. Saberemos sonhos. Prever o que?
Vivendo confirmo, a todo o momento, que o amor e real.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Identidade
Era forte a tempestade
muito vento
mar batendo nas pedras
folhas rangendo seus dentes.
À cadeira, na calma de uma grama verde,
a mulher intacta me olhava revirar as entranhas:
“Um homem que me salve, um homem!” -
era a busca de uma força mais bruta que a natureza.
O desespero de acordar
o desejo de dormir
acordar e dormir,
acordar e dormir.
As lágrimas no travesseiro transbordam as fronteiras
Vontade de sentir a bacia, as pernas,
o pé, a terra.
Ereta, braços levantados
‘Sou Eu, sou Eu esta mulher
um corpo em profusa imaginação’.
Não morro disso
Não mato,
Eu vivo.
muito vento
mar batendo nas pedras
folhas rangendo seus dentes.
À cadeira, na calma de uma grama verde,
a mulher intacta me olhava revirar as entranhas:
“Um homem que me salve, um homem!” -
era a busca de uma força mais bruta que a natureza.
O desespero de acordar
o desejo de dormir
acordar e dormir,
acordar e dormir.
As lágrimas no travesseiro transbordam as fronteiras
Vontade de sentir a bacia, as pernas,
o pé, a terra.
Ereta, braços levantados
‘Sou Eu, sou Eu esta mulher
um corpo em profusa imaginação’.
Não morro disso
Não mato,
Eu vivo.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Crescer
A gente perde:
O peito
O dente
As roupas
Os brinquedos
O olhar generoso
O riso de graça
O perdão das falhas
A crença nas fadas.
Crescer é uma árvore de tronco grosso brotando no peito por dentro:
Vai sugando a água, rompendo as vigas
Quer vento, sombra, comida
Traz rumo e quer que a gente siga.
Crescer não é linear:
Tem vontade de brincar
Medo inesperado
Cantiga no chão em roda
Massinha
Tem a gente deitando de conchinha
Alma entrelaçada
Lágrima enxugada.
Crescer é eterno processo:
O ganho da razão
O trabalho
A diferença entre o certo e o errado
A emoção vibrando, mantendo o seu espaço
A largura do abraço
A vitória da criação.
A escolha: nossa vida em nossas mãos
Corpo, mente, coração
Essência, natureza, aquisição
Tudo numa roda-gira-mundo
Dentro- fora
Simples - profundo
Neste diálogo multidimensional.
Crescer é o inteiro da gente ganhando a terra, o sol, a lua, o ar.
É continuar sonhando
Mas ter o passo de realizar.
O peito
O dente
As roupas
Os brinquedos
O olhar generoso
O riso de graça
O perdão das falhas
A crença nas fadas.
Crescer é uma árvore de tronco grosso brotando no peito por dentro:
Vai sugando a água, rompendo as vigas
Quer vento, sombra, comida
Traz rumo e quer que a gente siga.
Crescer não é linear:
Tem vontade de brincar
Medo inesperado
Cantiga no chão em roda
Massinha
Tem a gente deitando de conchinha
Alma entrelaçada
Lágrima enxugada.
Crescer é eterno processo:
O ganho da razão
O trabalho
A diferença entre o certo e o errado
A emoção vibrando, mantendo o seu espaço
A largura do abraço
A vitória da criação.
A escolha: nossa vida em nossas mãos
Corpo, mente, coração
Essência, natureza, aquisição
Tudo numa roda-gira-mundo
Dentro- fora
Simples - profundo
Neste diálogo multidimensional.
Crescer é o inteiro da gente ganhando a terra, o sol, a lua, o ar.
É continuar sonhando
Mas ter o passo de realizar.
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