Botei anel de noivado
O fato se faz consumado
Lento, mas sem atrasos
Decisão pelo tempo passado
Sonhos em série
Frios no fundo da alma
Retiro a coragem do prazer dos pulos e das cordas bambas
Ando de sombrinha e de saia rodada
Pelo luar brilhante e apaixonado
Das noites sem fim
Dia claro se faz dentro de mim
Pelos erros e seus reparos
Pela vista que vai longe
Pelo simples que é ouvir meu coração e saber que o trajeto é certo
Da rede dos laços, quem poderá duvidar?
Da sede do novo, quem irá subtrair a minha língua?
Eu, que faço das flores espada
Desfruto da pequena conquista
Por singelo passo
Pelo caminho, que é vasto,
Sigo ereta
Repleta de dança
Sincera comigo
Comemoro por dentro
De cabeça descansada
O grande salto
Sono tranqüilo e pensamento fértil
Estou prestes a parir
Filho tão desejado
Parte minha amadurecida
Gerada sem licença e com certeza
Amada por mim.
Para não ficar pela metade, vivo minha versão inteira por meio da poesia. Eu me confesso publicamente.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Vem pra mim
Outro dia veio em casa uma amiga que está pra lá de envolvida com a terapia da Bioenergética. Contou sobre um exercício que não sei se terei condições de colocar em palavras, pois que seus olhos e mãos foram fundamentais para o efeito que se deu em mim: aos pares, simplesmente se dizia, uma pessoa a outra: vem, vem pra mim, olha pra mim.
Exercício de intimidade, de amor que se pede do profundo do carecer do outro para existir.
Amor menino e maduro: solicita sem malícia, reconhece em si a sua fragilidade e dela lança vôo ao mundo.
Passeiam no meu peito há dias aqueles olhos e mãos. Transpassam os meus tempos, a minha falta de memória colada no corpo e no meu ímpeto de sofrimento por vezes sem compreensão.
Um ser moderno eu sou: isso eu descobri ainda ontem pela sociologia contemporânea - o que não me deu conforto algum... Trocava tudo, até o enrolado dos meus cabelos, por um único instante de dependência plena combinado com acolhimento total.
Não é possível voltar ao útero...
...Talvez por isso eu adie (agora com um pouco mais de consciência) alguns dos meus importantes desenvolvimentos...
...Talvez por isso eu habite grandes indecisões, e sofra de uma incrível falta de praticidade para a vida útil...
...Talvez por isso um jeito passional de abordar a vida, recolhido de pulos mais abissais na hora da prova real...
...E talvez por isso eu esteja há dias me vendo ali, na fraqueza confortável daquele suplicar de palavras...
Foram os óbvios que atingi.
Exercício de intimidade, de amor que se pede do profundo do carecer do outro para existir.
Amor menino e maduro: solicita sem malícia, reconhece em si a sua fragilidade e dela lança vôo ao mundo.
Passeiam no meu peito há dias aqueles olhos e mãos. Transpassam os meus tempos, a minha falta de memória colada no corpo e no meu ímpeto de sofrimento por vezes sem compreensão.
Um ser moderno eu sou: isso eu descobri ainda ontem pela sociologia contemporânea - o que não me deu conforto algum... Trocava tudo, até o enrolado dos meus cabelos, por um único instante de dependência plena combinado com acolhimento total.
Não é possível voltar ao útero...
...Talvez por isso eu adie (agora com um pouco mais de consciência) alguns dos meus importantes desenvolvimentos...
...Talvez por isso eu habite grandes indecisões, e sofra de uma incrível falta de praticidade para a vida útil...
...Talvez por isso um jeito passional de abordar a vida, recolhido de pulos mais abissais na hora da prova real...
...E talvez por isso eu esteja há dias me vendo ali, na fraqueza confortável daquele suplicar de palavras...
Foram os óbvios que atingi.
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sábado, 19 de setembro de 2009
Pelo Mundo
" (...) Tenho em mim todos os sonhos do mundo"
Álvaro de Campos
Leva o meu samba contigo
O meu bamba
Um seu abrigo
Leva o meu texto no teu sorriso
A minha dança de criança
O meu sentido
Atravessa nos mares o meu ritmo
A minha molecagem
Esqueça a minha idade e fica com meu ventre que brinca.
Carrega contigo nosso umbigo de forró que encosta
O nosso giro
O justo grito de refrão que salta do coração.
Se te der alguma solidão
Tome este poema como um mimo
Um presente inesperado
Um dado de mãos
Um carinho no rosto
Um beijo inocente
O nosso jeito de ser gente na poesia
Como um gesto de transgressão.
Sinta, feito abraço
No laço de saudade
Como um encontro desejado
Um canto de conforto.
Se ti vires absorto de pensamentos
Com os fermentos das descobertas
Lembra da janela sempre aberta
Com teu espaço de voltar.
Pensa no Rio
No mergulho
Na maresia
No boteco Mineiro com o cheiro do feijão
No tempero de casa
No quente da batucada
Na poesia
Na cama feita
No amor perfeito e fraterno de irmãos
Sinta o azul, o céu, o mar
O verde, o vento, o ar
E a tua capacidade infinita de sonhar.
Álvaro de Campos
Leva o meu samba contigo
O meu bamba
Um seu abrigo
Leva o meu texto no teu sorriso
A minha dança de criança
O meu sentido
Atravessa nos mares o meu ritmo
A minha molecagem
Esqueça a minha idade e fica com meu ventre que brinca.
Carrega contigo nosso umbigo de forró que encosta
O nosso giro
O justo grito de refrão que salta do coração.
Se te der alguma solidão
Tome este poema como um mimo
Um presente inesperado
Um dado de mãos
Um carinho no rosto
Um beijo inocente
O nosso jeito de ser gente na poesia
Como um gesto de transgressão.
Sinta, feito abraço
No laço de saudade
Como um encontro desejado
Um canto de conforto.
Se ti vires absorto de pensamentos
Com os fermentos das descobertas
Lembra da janela sempre aberta
Com teu espaço de voltar.
Pensa no Rio
No mergulho
Na maresia
No boteco Mineiro com o cheiro do feijão
No tempero de casa
No quente da batucada
Na poesia
Na cama feita
No amor perfeito e fraterno de irmãos
Sinta o azul, o céu, o mar
O verde, o vento, o ar
E a tua capacidade infinita de sonhar.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Aquilo que nunca se esquece

Na última segunda-feira, feriado muito ensolarado no Rio de Janeiro, me enchi de propósito e compromisso para que o meu filho aprendesse a andar de bicicleta. Ordenei que tirasse a camisa e iniciei com as principais instruções: manter o braço firme, o corpo sempre reto, pedalar bem forte e seguir olhando pra frente.
Foi então que me dei conta da quantidade de movimentos que precisamos equilibrar para que haja o tal deslize sobre as duas rodas.
Rajada de brisa no rosto. Rastro de liberdade. Pernas para a autonomia do caminho e do caminhar. Sobre isto irei aprender. Sobre isto irei ensinar.
Lembrança da minha infância marcada no centro de uma das pernas: certo dia carreguei uma amiga na garupa em “alta” velocidade, numa estrada de paralelepípedo. A idéia era voar com o impulso do quebra-mola. Ele veio e a gente foi: justo de joelhos no chão. Lavagem que ardeu na alma pra tirar toda aquela sujeira. Doeu, mas nunca mais desistimos.
Segurando por trás do banco, na parceria para a decolagem, tudo isso me ocorreu ao suor da ressaca de sambinha na noite passada.
“Você já está conseguindo!”, eu disse, e seu corpo se firmou para o desafio. O meu sonho se prestava para realidade, assim como as minhas mãos que fugiram do seu bumbum. De repente ele foi... juntou num passe de mágica: o firme, o sempre, o forte e a frente. Voou.
Rimos pelo meio no nosso medo, jogando a poeira para trás.
Na primeira reta sozinho deparou-se com um cão dormindo e o atropelou. Esqueci de ensinar a frear e que a vida anda, corre, pára e pode até voltar atrás. Surgi pra evitar a mordida, que eu também poderia cuidar.
V.I.T.Ó.R.I.A - foi isto que o seu olho sentiu naquele sorriso final: EU CONSEGUI!
Meu coração me cedeu este carinho eterno. Agradeci.
A primeira vez de andar de bicicleta do meu filho ainda teve um nome de batizado: Dia da Independência, em 07 de setembro de 2009.
Memória para eternidade: isto eu não esqueço jamais.
Foi então que me dei conta da quantidade de movimentos que precisamos equilibrar para que haja o tal deslize sobre as duas rodas.
Rajada de brisa no rosto. Rastro de liberdade. Pernas para a autonomia do caminho e do caminhar. Sobre isto irei aprender. Sobre isto irei ensinar.
Lembrança da minha infância marcada no centro de uma das pernas: certo dia carreguei uma amiga na garupa em “alta” velocidade, numa estrada de paralelepípedo. A idéia era voar com o impulso do quebra-mola. Ele veio e a gente foi: justo de joelhos no chão. Lavagem que ardeu na alma pra tirar toda aquela sujeira. Doeu, mas nunca mais desistimos.
Segurando por trás do banco, na parceria para a decolagem, tudo isso me ocorreu ao suor da ressaca de sambinha na noite passada.
“Você já está conseguindo!”, eu disse, e seu corpo se firmou para o desafio. O meu sonho se prestava para realidade, assim como as minhas mãos que fugiram do seu bumbum. De repente ele foi... juntou num passe de mágica: o firme, o sempre, o forte e a frente. Voou.
Rimos pelo meio no nosso medo, jogando a poeira para trás.
Na primeira reta sozinho deparou-se com um cão dormindo e o atropelou. Esqueci de ensinar a frear e que a vida anda, corre, pára e pode até voltar atrás. Surgi pra evitar a mordida, que eu também poderia cuidar.
V.I.T.Ó.R.I.A - foi isto que o seu olho sentiu naquele sorriso final: EU CONSEGUI!
Meu coração me cedeu este carinho eterno. Agradeci.
A primeira vez de andar de bicicleta do meu filho ainda teve um nome de batizado: Dia da Independência, em 07 de setembro de 2009.
Memória para eternidade: isto eu não esqueço jamais.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O palhaço e a bailarina

Tenho na minha memória que meu avô era amigo do palhaço Carequinha. Não sei se a história procede. Fato é que, por muitos Domingos da minha infância, assisti Carequinha apresentar-se no Rincão Gaúcho, churrascaria que ficava de fronte a casa dele, na Zona Norte do Rio. Uni os dois, por fato real ou invenção, e me pergunto o sentido desta doce lembrança viva no meu coração.
O que recordo do meu avô é a sua dança espalhada na sala. Também suas roupas sempre brancas e perfumadas pelo sabonete Lux. O queijo coalho frito cheirando no café da manhã. A minha irmã mais nova, ainda bebê, subindo e descendo da sua enorme barriga, por conta da respiração.
Ocorre que a dança do meu avô, a despeito do seu peso farto por conta da comilança, era leve. Seu sapato branco flutuava, e eu, respirava no corpo duro que eu tinha.
Sim, o meu corpo era duro. Foi um corpo anteparo das angústias que eu desconhecia. Envolvia uma mente pisciana de sonhos, que transformava a matéria bruta da vida em matéria prima de arte. Uma mente que transgredia a realidade e inventava. Criou uma pedra pra ficar de pé.
Na adolescência, a dança me compreendeu. Aprendi, por inconsciência feliz, a dançar. Salsa, bolero, samba de gafieira e até o zouk, lambada importada da França. Sem nenhuma técnica ou qualquer aula, eu deslizava. De segunda a segunda, entre suor e sorrisos, eu só queria saber de dançar. Até hoje a dança representa uma condição de saúde, uma cura, uma realidade suprema. Uma música dançada, para mim, é Deus.
O palhaço, que delicado:
Freud e seu Édipo explica,
Jung e seu arquétipo explica,
O palhaço e a bailarina.
O palhaço descobre, desde sempre, a minha criança alegre dos Domingos do Carequinha. A minha menina que desejou aprender a dançar, e conseguiu.
O que recordo do meu avô é a sua dança espalhada na sala. Também suas roupas sempre brancas e perfumadas pelo sabonete Lux. O queijo coalho frito cheirando no café da manhã. A minha irmã mais nova, ainda bebê, subindo e descendo da sua enorme barriga, por conta da respiração.
Ocorre que a dança do meu avô, a despeito do seu peso farto por conta da comilança, era leve. Seu sapato branco flutuava, e eu, respirava no corpo duro que eu tinha.
Sim, o meu corpo era duro. Foi um corpo anteparo das angústias que eu desconhecia. Envolvia uma mente pisciana de sonhos, que transformava a matéria bruta da vida em matéria prima de arte. Uma mente que transgredia a realidade e inventava. Criou uma pedra pra ficar de pé.
Na adolescência, a dança me compreendeu. Aprendi, por inconsciência feliz, a dançar. Salsa, bolero, samba de gafieira e até o zouk, lambada importada da França. Sem nenhuma técnica ou qualquer aula, eu deslizava. De segunda a segunda, entre suor e sorrisos, eu só queria saber de dançar. Até hoje a dança representa uma condição de saúde, uma cura, uma realidade suprema. Uma música dançada, para mim, é Deus.
O palhaço, que delicado:
Freud e seu Édipo explica,
Jung e seu arquétipo explica,
O palhaço e a bailarina.
O palhaço descobre, desde sempre, a minha criança alegre dos Domingos do Carequinha. A minha menina que desejou aprender a dançar, e conseguiu.
Ele é o macho da poeta que a minha mulher é. De quem as sapatilhas são, hoje, as palavras.
E ainda traz meu avô por dentro, rodopiando entre as nuvens do céu.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Expectativa
“Eu amo a minha escola!”
Ele exclamava bem em frente ao portão
Depois da esticada das férias
(por coisa esquisita na população)
Era o dia do reencontro
Da retomada do quintal da sua vida de aprender a ser cidadão
Manhã seguinte de parque
De árvore
De amigos
De muito beijo de mãe - por vezes sonho ter estoque de selar e não é que acontece!
Esse jeito pele de amar
Jeito meu
Deixa nele uma marca
Um excesso.
Tenho dias de transbordar
Um moinho no coração:
Pôr do sol, paisagem de mar,
Vôo rasante e de alto de céu
Língua que toca bem na boca do meu estômago, do friozinho que dá
Horas de abraçar...
Pensamentos de sexo que prefiro nem relatar!
E uma madrugada inteira gestacionando palavras
Até que às 5 da manhã
Na beira de dormir
Ocorre o parto
Na lembrança do que outro dia ouvi:
“Vocês mulheres inventam essas historinhas e nos põe de personagem, sem nem nos avisar!
Caraminholas, camisolas, calcinhas, champagne, viagens, banhos quentes, declarações
Ora, tem coisas que nem precisam presságio...
Além do mais,
O que seria dos poemas?
Qual seria a função da minha imaginação se não fosse essa de fabricar as minhas coisas de imaginar?
Eu vivo:
Mãe, não só - também mulher de amar
Numa seqüência circular e sem fim.
Ele exclamava bem em frente ao portão
Depois da esticada das férias
(por coisa esquisita na população)
Era o dia do reencontro
Da retomada do quintal da sua vida de aprender a ser cidadão
Manhã seguinte de parque
De árvore
De amigos
De muito beijo de mãe - por vezes sonho ter estoque de selar e não é que acontece!
Esse jeito pele de amar
Jeito meu
Deixa nele uma marca
Um excesso.
Tenho dias de transbordar
Um moinho no coração:
Pôr do sol, paisagem de mar,
Vôo rasante e de alto de céu
Língua que toca bem na boca do meu estômago, do friozinho que dá
Horas de abraçar...
Pensamentos de sexo que prefiro nem relatar!
E uma madrugada inteira gestacionando palavras
Até que às 5 da manhã
Na beira de dormir
Ocorre o parto
Na lembrança do que outro dia ouvi:
“Vocês mulheres inventam essas historinhas e nos põe de personagem, sem nem nos avisar!
Caraminholas, camisolas, calcinhas, champagne, viagens, banhos quentes, declarações
Ora, tem coisas que nem precisam presságio...
Além do mais,
O que seria dos poemas?
Qual seria a função da minha imaginação se não fosse essa de fabricar as minhas coisas de imaginar?
Eu vivo:
Mãe, não só - também mulher de amar
Numa seqüência circular e sem fim.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Carne minha
Corpo desnudo, tenho por meio das palavras.
Medos esparsos
Sangue inexato
Cantos pungentes de conversa.
O sentido do meu existir, permuto com memórias marcadas
Que no ventre da cama
Dão sinais.
Acordo feia
Vasculho nas veias a direção
Coração esquisito... ainda bem...
Sabe que a vida é dor e por isso ri.
Aprendo do percurso na condição -
malemolência
Preguiça
Conhecer é lento e não quero ter pressa
Quando excedo
Acontece uma placa bem grande na minha testa.
Ainda estou nos extremos de pensamento variado e ação repetitiva.
Assim como concebo nas palavras
É no corpo que preciso criar a minha poesia.
Medos esparsos
Sangue inexato
Cantos pungentes de conversa.
O sentido do meu existir, permuto com memórias marcadas
Que no ventre da cama
Dão sinais.
Acordo feia
Vasculho nas veias a direção
Coração esquisito... ainda bem...
Sabe que a vida é dor e por isso ri.
Aprendo do percurso na condição -
malemolência
Preguiça
Conhecer é lento e não quero ter pressa
Quando excedo
Acontece uma placa bem grande na minha testa.
Ainda estou nos extremos de pensamento variado e ação repetitiva.
Assim como concebo nas palavras
É no corpo que preciso criar a minha poesia.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Exemplo
Eles corriam curiosos pela floresta
Buscavam bichos, pedaços de pau, frutas
Molhavam as mãos na água
E correndo atrás de borboletas
Colhiam asas para sua imaginação.
Eram dois corpos perfeitos
Livres a percorrer espaços
Que no entrelaço da amizade
Apreendiam, por condição de viabilidade,
Sobre o laço a um irmão.
Assim sou mãe do espaço
Da vista
Da paisagem
Da cola secreta que une um ser ao outro
Do acaso da vida
Da intenção de amor.
Pouca idade, já não tenho mais...
Partes doem
Sofro de insônia
A pele desbotada na varredura das manchas
E um sangue, que de vermelho que é,
Me empurra por dentro, inquieta.
Há tempos desconheço o manso
Oro cada vez mais por um verbo infantil:
Quero, brinco, sonho, descanso
Carinho, choro sincero, sentimento limpo
Mãe, deita aqui até eu dormir?
Desejo andar de mãos dadas
Irmãmente assim
Como aquela liberdade de dois seres
Desfrutando dos saberes da alma no concreto:
Chão – passo
Desejo – beijo
Espanto – abraço
Molhado – esparramado pela pele toda
Percorrendo o trajeto de reconhecimento:
Assim eu sou, sinto, vejo, almejo – e faço.
Buscavam bichos, pedaços de pau, frutas
Molhavam as mãos na água
E correndo atrás de borboletas
Colhiam asas para sua imaginação.
Eram dois corpos perfeitos
Livres a percorrer espaços
Que no entrelaço da amizade
Apreendiam, por condição de viabilidade,
Sobre o laço a um irmão.
Assim sou mãe do espaço
Da vista
Da paisagem
Da cola secreta que une um ser ao outro
Do acaso da vida
Da intenção de amor.
Pouca idade, já não tenho mais...
Partes doem
Sofro de insônia
A pele desbotada na varredura das manchas
E um sangue, que de vermelho que é,
Me empurra por dentro, inquieta.
Há tempos desconheço o manso
Oro cada vez mais por um verbo infantil:
Quero, brinco, sonho, descanso
Carinho, choro sincero, sentimento limpo
Mãe, deita aqui até eu dormir?
Desejo andar de mãos dadas
Irmãmente assim
Como aquela liberdade de dois seres
Desfrutando dos saberes da alma no concreto:
Chão – passo
Desejo – beijo
Espanto – abraço
Molhado – esparramado pela pele toda
Percorrendo o trajeto de reconhecimento:
Assim eu sou, sinto, vejo, almejo – e faço.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Gente é gente - e é importante
Gente ama
Gente sofre
Gente chora
Gente ri
Tem medo
Tem coragem
Tem bravura
Pra construir
Gente deseja
Almeja
Peleja
Enfraquece
Gente sonha
Corre atrás
Se ferra
E depois esquece.
Fica triste e fica alegre
No espaço de um instante
Perde o jogo
Se machuca
Se levanta
E segue adiante
Atenção para um dito
Que é muito relevante:
GENTE É GENTE.
Não é ferramenta
Não é recurso
Não é processo
Não é método.
Gente é gente
E é importante.
Gente sofre
Gente chora
Gente ri
Tem medo
Tem coragem
Tem bravura
Pra construir
Gente deseja
Almeja
Peleja
Enfraquece
Gente sonha
Corre atrás
Se ferra
E depois esquece.
Fica triste e fica alegre
No espaço de um instante
Perde o jogo
Se machuca
Se levanta
E segue adiante
Atenção para um dito
Que é muito relevante:
GENTE É GENTE.
Não é ferramenta
Não é recurso
Não é processo
Não é método.
Gente é gente
E é importante.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Amém
Me disseram os astros que até Outubro seguirei com as minhas perdas. Assim se deu com a minha identidade, o meu emprego, um grande amigo e mais recentemente, um tanto da minha liberdade. Não creio em destino ou coisas pré-determinadas, mas talvez, por assim saber das minhas probabilidades, como que encaixo os fatos no leito da minha compreensão. Plutão, mestre dirigente da minha transformação e com quem venho ganhando intimidade, tornou-se par para um meu diálogo de aprender o que nesta vida vale. Tudo sem desespero, mas com a tristeza necessária. Com firmeza, o meu saber se faz sozinho e calmo em cada milímetro de coração que aperta. Estou certa do pensamento e curva do caminho . Vasculho montanhas, passagens, passado. Vislumbro paisagens de mar. Não tenho certeza de nada. Das minhas entranhas brotam as palavras e os significados. Dói rasgando, mas liberta coisa que eu não perco jamais. Não há bandido que leve as minhas artimanhas, então ando agradecendo por tudo, mesmo que pareça incrível. Ouço de próximos: “Nossa, que maré!” e eu sigo remando, colecionando formas de me defender e de brilhar. Vai dar pé!
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